Que o diga Barbara, a doce e jovem babá do livro Quando os Adams Saíram de Férias*, de Mendal W. Johnson. Ela só queria ganhar uns trocos durante as férias da facul e acabou presa, torturada, estuprada… Triste para uma garota de 20 anos e cheia de vida pela frente. Mas o pior nem foi o crime em si, e sim o fato de que seus algozes eram cinco crianças e adolescentes, de 10 a 17 anos, as quais ela deveria tomar conta enquanto seus pais descansavam na Europa.
Não pretendo entrar nos detalhes cruéis nem nas torturas psicológicas a que Cindy, Bobby, John, Paul e Dianne submetem sua babá. A angústia cresce a medida que as páginas passam. No início, pura brincadeira de crianças entediadas do interior. Depois, tudo vai tomando uma proporção bastante assustadora, mas ainda assim segui a leitura sem me chocar tanto. Afinal sou jornalista, leio desgraças e maldades do ser humano todos os dias.
Mas, como cantava Renato Russo, a maldade humana agora não tem nome, e confesso que nas páginas finais as lágrimas brotaram nos olhos. Ao contrário do André, que me indicou a leitura e teve que segurar os olhos marejados, eu estava em casa, sozinha e quente, tapada com três edredons. Bem diferente de Barbara, nua, com fome, estuprada, e a caminho de seus últimos momentos. Chorei sim, por que ela era uma pessoa boa, que não via a maldade nos olhos de ninguém, a professorinha correta e sorridente, a Poliana que vive jogando o jogo do contente. Chorei por que sei que é só haver algo belo, verdadeiro, bom na essência que algum fator externo fará de tudo para destrui-lo. Ela somente amava e foi odiada justamente por isso.
O pior foi ver que, apesar das súplicas, não houve nenhum momento de verdadeira piedade. Não suficiente para mudar os fatos. Quando a “brincadeira” perdia a graça, eles avançavam. Avançando até o fim. “Fizemos por que podíamos”, justificou Dianne. E continuaram por que não podiam voltar atrás. Não impunemente.
Dizem que essa história é real, e que o tal autor seria o personagem Bobby. Mesmo que isso seja uma lenda urbana, a verossimilhança é tamanha que não duvido que haja em algum lugar uma história como essa. Não importa se Barbara existiu realmente. Apavora-me o fato de achar totalmente plausível e possível uma história dessas. A maldade humana já não tem nome mesmo. E é real.
Extraiu tudo, Vanessa, nada mais a acrescentar. E o pior é que parece mesmo uma escaramuça contra uma menina que era boa demais. O final do livro é muito triste, aquelas coisas dizendo que ela foi esquecida e os assassinos se tornaram adultos respeitáveis da sociedade. O mundo é realmente muito injusto, e é muito mais injusto do que a gente pensa. Apesar de tudo, ainda temos muito pra ver. Infelizmente.
P.S.: como se faz esse PINGBACK???
bá., taí algo que não lerei. odeio quando as coisas belas sao destruídas por prazer…
bjsss
mas é um livro muito bom, Moni, apesar da história ser forte. Como o André postou no blog dele, às vezes a violência mostrada consegue fazer seu papel e criar ojeriza e trazer mudanças. ;)
Confesso que assim como Bárbara, não deixei de ter esperanças um minuto sequer e cheguei a acreditar que alguma alma boa iria aparecer para soltá-la, mas isso só acontece em novela.
É uma história realmente muito triste e o que é pior é saber que existem pessoas capazes de fazer tudo isso.
é triste mesmo, Cinthia. e possível. e é isso o que mais me assusta, pra te falar a verdade.
Quando os Adams sairam de férias- é um soco no estômago
de tão cru e direto, vc jamais vai ver as crianças da mesma
maneira- Cindi – a menina mais nova parece se divertir ainda
mais que os outros jovens, acho que para ser mau, é só
-despertar-a maldade. O livro chega em suas últimas páginas e o desespero aumenta.
Concordo contigo, Luiz. Cindy é uma das mais chocantes por “se divertir” com a maldade. esse livro é muito cru e – o que mais me assustou – totalmente possível.
Estou lendo este livro. A história, realmente, é triste e revoltante! Acho que, das cinco crianças, o personagem Jhon é o mais nojento! Quem ler este livro, vai sentir, como eu, tristeza, muita pena de Bárbara e revolta!!!
Muito bom o livro.
Pensar que crianças são tão perversas assim, mostrar o que o Ser Humano (apesar da idade) pode chegar. Mostrar a facilidade com que as coisas perdem o controle, e a situação pode chegar ao que jamais imaginamos acontecer!
Alguém sabe mais algum livro deste Autor? Gostaria de ler outros.