Terminei hoje o livro Teresa Filósofa, de um autor anônimo do século XVIII. Cercada de alguns furtivos olhares curiosos, dado a capa do livro. Sei que não se escolhe um livro pela capa, mas esse acaba criando situações engraçadas e um pouco constrangedoras. Afinal, uma mulher nua em uma posição erótica dá asas à imaginação alheia, principalmente quando se está indo ao trabalho, em pleno Orfanotrófio.
Mas vamos ao livro, enfim. É bastante interessante a maneira como a jovem Teresa vai descobrindo a sexualidade e a religião. A contradição da culpa e do prazer que a acompanha vai ganhando novas nuances quando a personagem principal conhece lady C. e o abade T., e sua visão libertina e livre do sexo – dentro de certas normas para garantir o bom andar da carruagem, lógico. Para homens sensatos, o valoroso e sábio abade recomenda o “uso” de uma menininha para os “trabalhos pesados” – como se fosse um penico para mijar, destaca ele. Para moças e mulheres solteiras, mas interessadas nos prazeres, o abade recomenda a prática da masturbação e o uso de certos “aparelhos” que se assemelham a falos.
Aliás, esse livro tem uma peculiaridade: conforme a visão de quem lê, ele pode ser prazeiroso ou devasso. Cabe ao leitor descobrir em que perfil se encaixará. E segue com as descobertas filosóficas e sexuais de Teresa, jovem bela e sensual, que imaginei com a cara da Monica Bellucci – mas com uns 16 anos. Mas mais mudanças acontecem na vida dessa aprendiz de libertina e ela acaba conhecendo a Sra. Bois-Laurier, através da qual Teresa acaba encontrando-se com o Conde, que instiga-a nos prazeres mentais e físicos. Como de praxe, um trecho interessante:
É o amor próprio – dizíeis um dia – que decide sobre todas as ações da nossa vida. Entendo por amor próprio essa satisfação interior que sentimos em fazer esta ou aquela coisa. Eu vos amo, por exemplo, porque tenho prazer em vos amar. O que faço por vós pode vos convir, vos ser útil, mas não tendes nenhuma obrigação por isso: é o amor-próprio que me determinou a isso, é porque fixei a minha felicidade em contribuir para a vossa, e é por esse mesmo motivo que me fareis perfeitamente feliz somente quando o vosso amor-próprio encontrar a sua satisfação específica nisso. (…) Todas as ações de nossas vidas são dirigidas por esses dois princípios: proporcionar-se mais ou menos prazer, evitar mais ou menos dor.”
Bem, interessante, não? Isso é para mostrar que mesmo com aquela capa erótica há muito mais do que simples libertinagem em Teresa Filósofa. Divertido, inteligente e bastante erótico. Altamente recomendável.
A M O !!!!!!!!!!!!!!!!