definitivamente. foi o primeiro livro do Zygmunt Bauman que li e me aterrorizou horrivelmente. Por quê? Simples. Tudo ali é exatamente como o mundo, as pessoas, o consumo, a vida está. Ele teorizou algo que no íntimo eu tinha percebido mas ainda não tinha racionalizado. Não totalmente – eram pensamentos que mais pareciam espasmos e observações do tipo “isso está errado” e “não deveria ser assim”. Uma sensação incômoda, como se eu não sentisse pertencer ao mundo, à vida em que vivo. Parece bizarro? Talvez. Mas se isso te faz sentido, é hora de ler Amor Líquido.
Esse livro mexeu muito comigo. Porque fala de amor. De um amor além do de um casal. Ele te leva até à xenofobia e ao combate a imigração de muitos países europeus. Incrível como o amor (ou melhor, a falta de) pode causar tanto estrago. Pessoas descartáveis como um lenço de papel. Você só me serve enquanto me proporcionar prazer em todos os sentidos. Mesmo assim, não me apego, pois há tantas possibilidades por aí a espera de uma chance de fornecer-me outros & novos & descartáveis prazeres e sensações. Não faz sentido ficar preso, ligado somente a uma relação/pessoa.
Não me apego o c.! Esse tipo de liquidez não serve para mim. E acredito que para ninguém, pois não conheço quem goste de se sentir usado. Tá, não posso falar pela maioria, parto do meu próprio e humilde umbigo. Mas acredito que há muita gente que concorde comigo. Até porque tenho visto tantas pessoas próximas totalmente desapontadas com o amor. Desistem. Ou melhor, ficam numa espécie de standy by, esperando que talvez a sorte e/ou o acaso e/ou o destino tragam alguém que acabe com esse estado de inércia. O problema é que parece que o amor líquido vai totalmente de encontro a isso. Isso me lembra uma cantiga de roda… “O anel que tu me destes era vidro e se quebrou…” Não, agora o anel não é mais de vidro, nem há anel, pois ele simboliza compromisso. E esse amor pós-moderno e líquido é avesso à estabilidade e compromissos.
A verdade que Bauman discorre é que o amor virou mais um objeto de consumo. Exatamente isso. E, como ele mesmo observa, o consumo está cada vez mais rápido, fácil e descartável. O acesso a ele é simples: o desejo de hoje é facilmente saciável, mas dura pouco tempo. E tem essa vida útil curta propositalmente. Enquanto isso, novos desejos surgem, mais necessidades são criadas, e precisamos desesperadamente consumir, consumir, consumir. Como gafanhotos numa plantação, só que a plantação nunca acaba porque sempre há novos horizontes à vista. Os publicitários são bons nisso. Se consumimos tudoe tão rapidamente por que, afinal, não consumiríamos uns aos outros? Não estaríamos seguindo a lógica da vida líquida.
Mas esse post é só a ponta do iceberg. Minha mente ainda está digerindo toda essa realidade triste e apavorante. Quero amigos que leiam algum texto do Bauman e estejam dispostos a realizar um sarau sociológico &literário para discutir essas idéias. Trocar figurinhas, impressões e experiências. Porque esse livro serviu para me revoltar. Quero nadar contra a correnteza, seguir o que sinto e acredito. Fez-me perceber que estou inserida nessa verdade, porém quero ter a opção de fazer diferente. Do meu jeito. Da maneira que creio ser o melhor caminho. E se houver alguém que também queira, então vamos acreditar juntos. Afinal, parafraseando Raulzito, sonho que se sonha junto é realidade.
Impulsionado pelos seus elogios e recomendações, resolvi procurar Amor Líquido em sebos e livrarias, só por curiosidade. Não o encontrei, mas continuarei a busca.
Achei seu blog por acaso e gostei muito das suas resenhas.
Até.
Atiçou a curiosidade. Empresta? Sou aspirante ao sarau.
Ah, posso adicionar um link do seu endereço no meu blog?
pra divulgar e não perder o link, pois é muito difícil achar páginas boas de resenhas e etc.
(:
Que post revolts.
A decadencia humana nao tem limites… a nobreza de sentimentos tambem nao.
Pronto. Cabou o Fima, cabou o Uno, Nessuno e Centomila. Agora o Bauman é o próximo.
oba!!!
Olá minha cara amei seus comentarios que são muitos parecidos com os meus,então vamos nadar contra este mar de mesmice.
Obs:minha próxima leitura vai ser amor líquido
Sou parceira para um Sarau sobre o Amor Líquido. Esse livro e outros do Bauman é bem discutido no curso que faço: Ciências Sociais.
Também nado contra a correnteza… e por sinal, acabei de ser descartada, após um ano de consumo… apesar de ter me entregue de corpo e alma.
Abraços, Mel
Eu já li o livro tb… me assusta muito esse amor liquido que estamos vivendo… O livro nos mostra claramente a grande dificuldade que temos para viver neste mundo moderno sem os vincullos sociais…. isso eh pessimo!!
Bejos!