…a civilização não tem absolutamente necessidade de nobreza nem de heroísmo. Essas coisas são sintomas de ineficiência política. Numa sociedade adequadamente organizada como a nossa, ninguém tem oportunidade de ser nobre ou heróico. É preciso que as condições se tornem essencialmente instáveis antes de que se apresente tal oportunidade. Onde há guerras, vassalagem, tentações às quais resistir, objetos de amor a serem conquistados ou defendidos – aí, é óbvio, a nobreza e o heroísmo fazem sentido. Mas hoje em dia não há guerra. Toma-se o maior cuidado para impedir as peossas de amarem demasiado quem quer que seja. Não há vassalagem, as pessoas são de tal modo condicionadas que não podem deixar de fazer o que devem fazer. E seu dever é no conjunto tão agradável, seus impulsos naturais podem ser satisfeitos tão livremente, que não há tentações a que resistir. E se acontcer, por algum mau acaso, algo desagradável, então há sempre o soma para ajudá-lo a fugir dos fatos. E sempre há soma para acalmar uma ira, para reconciliá-lo com os inimigos, para o tornar paciente e tolerante…”
admirável mundo novo?
Janeiro 12, 2008 por Vanessa
um dos pontos mais interessantes em Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, é a revolução social produzida pela tecnologia. O desenvolvimento das ciências, especialmente a biologia, caminha para o resultado final: seres humanos geneticamente manipulados, programados e prontos para ser exatamente aquilo que seus criadores propuseram que eles fossem. Dessa forma, temos seres Y, Alfa e Beta, cada um nomeado a partir do papel que terá na sociedade de Huxley. Sem questionamentos, sem dúvidas, vidas prontas para serem felizes – uma felicidade absolutamente vazia de sentido, é verdade – nesse mundo perfeito e asséptico. choca, mas ao mesmo tempo, absurdamente possível.
outra questão válida é a total censura às artes em geral. o conhecimento literário, teorias revolucionárias, todo o aprendizado humano em séculos de história e cultura é expressamente proibido. os seres do mundo novo não têm idéia de quem foi Shakespeare, Da Vinci ou qualquer outro artista. Isso por que a melhor forma de controlar essas massas foi criando-as com uma ausência de emoções. Há instintos (sexo, fome etc) mas não pode-se envolver emocionalmente com alguém. E a arte é um estímulo para os sentimentos devendo, dessa maneira, ser totalmente obliterada.
a figura do selvagem surge na história como um contraponto chocado e deslocado nesse mundo admirável. ele é o olhar humanizado em uma sociedade oca, manipulada e suprimida de emoções. são suas reflexões sobre esse “futuro presente” que legitimam a genialidade de Huxley. é, sem dúvida, uma obra ótima para reflexões. e infindáveis saraus literários em botecos da Cidade Baixa.
Parabéns, gostei muito do seu BLOG. Tenho uma proposta semelhante na minha própria página que é registrar e compartilhar comentários sobre os livros que vou lendo. Voltarei por aqui.
Poxa, eu adoro esse livro.
Gostei do seu blog. Gosto mt de ler tb. Passarei aqui mais vezes. Sem dúvida.
Oie, tudo bom!?
Só passei pra avisar que troquei o link do meu blog.
Bjinhos
Vivi
Gostei muito do seu texto!
Parabéns!