Comecei a terceira leitura de “Persépolis” esta semana. E cada vez que releio os quadrinhos de Marjane Satrapi fico mais impressionada com sua riqueza. Minha ignorância era tanta sobre o Irã que nunca imaginei que antes da revolução de 1979 o país era um dos mais cultos e ocidentalizados do Oriente Médio.
Para quem ainda não teve o prazer de folhear as HQs de Persépolis, a história é uma autobiografia da autora/desenhista. Acompanhamos a pequena heroína a partir de seus 10 anos, bem na época da revolução islâmica de 1979. Educada em uma escola francesa laica, apesar da pouca idade, Marjane estranha as mudanças. De repente, as meninas deviam usar véu e foram separadas dos meninos de sua turma. Isso foi só o início de uma época de retrocesso cultural, educacional e político no Irã. Retrocesso ilustrado com maestria e bastante seriedade aos olhos de uma criança.
De família liberal, Marjane mostra-se bastante politizada e cresce sabendo em que realmente acreditar. É fascinante pensar que, enquanto minha preocupações nesta idade eram os penteados da minha Barbie, uma menina lá no Oriente Médio conhecia a história de bravura de sua família e chocava-se com a intolerância de seu mundo. Assim ela cresce, brincando de ser Che Guevara e sempre respondendo com autenticidade às autoridades islâmicas – qualidade que mantem depois de adulta e que lhe trouxe tanto problemas quanto reconhecimento.
O grande baque da vida de Marjane é aos 14 anos, quando seus pais decidem enviá-la para em exílio para Áustria e fugir da guerra entre Irã e Iraque. Lá, ele se perde em drogas, apaixona-se e decepciona-se, questiona sua identidade e tenta resgatar seus laços familiares. Não vou contar tudo para não perder a graça da descoberta deses quadrinhos, mas o retorno ao Irã, aos 18, a impressiona. Mas é de volta à sua terra natal – agora Teerã é uma cidade de mártires, os nomes dos mortos são ostentados em cartazes e ruas da cidade – que ela entra em uma nova fase de sua vida: a aceitação do regime xiita. Aceitação em termos, Marjane é e sempre será uma revolucionária, um espírito livro e moderno em uma cultura oprimida pelo terror e fanatismo.
A obra se divide em quatro volumes, mas preferi comprar a edição completa (estava em promoção e assim poderia concluir toda a história). O filme baseado nos quadrinhos recebeu indicação ao Oscar de Melhor Animação. Ainda não assisti, mas pelo teor das HQs, acredito na qualidade do longa. Aliás, um detalhe tanto da história quanto da película: os desenhos são todos em preto-e-branco, dramáticos, com traço simples, valorizando seu o melhor – um enredo simplesmente incrível.

é muito bom ter amigos e é maravilho
participar de um quadro de amisade con ciceridade
a cima de todas as coisa uma amisade é valido
sem acepição
vamos mante um contato sem demagosia
con ciceridade
legau